Momentos passageiros
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Meus Contos

Momentos Passageiros

A felicidade assim como a tristeza são momentos passageiros que movem a nossa vida.

 Laura tinha dezoito anos quando teve seu coração partido pela primeira vez. Alguns diriam que ela teve sorte de ter demorado tanto, outros diriam que ela tem ainda a vida toda pela frente. Para a menina, no entanto, a vida estava escura.

 Tinha sido um namoro de dois anos que terminou com ele dizendo que amava outra pessoa. Foi para Laura devastador que seu primeiro amor tenha dito aquelas palavras. Era impossível para ela ver um futuro de alegria e esperança naquele momento.

 As mulheres, em especial as mais novas, tem um jeito todo especial de sofrer. Um ritual que consiste em escutar as músicas mais tristes possíveis, assistir os filmes mais trágicos e chorar em cima de um chocolate. Elas mergulham na tristeza abraçando toda aquela experiência.

 Para Laura não foi diferente. Suas amigas a encontraram deitada na cama chorando com uma música qualquer sobre despedida. A cena parecia de filme, com lenços de papel espalhados pelo chão e uma caixa de bombom pela metade.

– É isso, você chegou no fim do poço e só nos basta chutar sua bunda pra cima – Lorena nunca foi conhecida pelo seu jeito delicado de falar, mas suas intenções em geral eram sempre boas.

Com a cabeça enfiada no travesseiro só foi possível ouvir um gemido. Clara, que era a mais calma do grupo, se aproximou e fez carinho nas costas da amiga.

-O que a Lo quer dizer é que já passou da hora de você sair dessa cama. 

-Não, o que eu quis dizer é que já passou da hora de você sair desse covil de amargura e auto piedade.

– Auto piedade? Me desculpa se depois do fora que eu levei eu esteja me sentindo meio chateada.

-Laura, eu te amo, mas se você não sair daí logo eu vou te bater! Ai!

-Da próxima além do travesseiro vai meu chinelo.

-Chega as duas! La, não vai te ajudar em nada ficar nesse quarto remoendo o que aconteceu.

-Sabe o que te ajudaria? Um banho, tá fedendo já amiga.

 Chinelos foram jogados, gritos e palavrões foram ditos. Mas Lorena conseguiu o que queria, a menina parecia mais disposta e viva do que quando elas entraram ali.

-A festa começa em quatro horas, temos que começar a nos arrumar logo – Clara foi tirando da mochila esmaltes e maquiagens. 

-O que lhe passa a impressão de que eu vou nessa festa?

-Que se você não for, vão ser duas batendo em você!

 A ameaça foi tão chocante saindo da boca de Clara que Lorena começou a rir, Laura acabou rindo junto e logo as três desataram a gargalhar. 

 Mesmo não querendo, Laura acabou levantando da cama. Com mais algumas palavras de incentivo de Clara e outras ameaças de Lorena, a menina acabou aceitando sair com as duas.

 Tem algo mágico em fazer as unhas e o cabelo juntas, assim como o ritual de sofrimento, esse é um ritual de cura e união entre mulheres. 

 As meninas se arrumaram, riram e fofocaram durante horas. Laura conseguiu até esquecer por um tempo o motivo da sua tristeza, até o momento em que ela teve que realmente sair de casa.

-E se ele estiver lá?

-E o que tem? Você vai estar toda linda e feliz mostrando para ele o que ele jogou fora!

-A Lo, mas não funciona assim.

-Ela tá certa Cla, você não pode viver a vida com medo de encontrar ele. E vamos estar juntas, vai ficar tudo bem.

 Na festa Laura descobriu que seu medo não se tornou realidade. Ou ele até poderia estar ali, mas tinha tanta gente, cor e alegria que ela nunca o encontraria no meio de tudo aquilo.

 A música estava boa, nada de baladas tristes. As pessoas ao seu redor riam e dançavam como se não houvesse tristeza no mundo. 

 Em certo momento foi distribuído pó colorido entre as pessoas e tudo virou uma explosão de cores. Ali, naquele momento, dançando entre suas amigas, o mundo parecia mágico.

 Esse também era um ritual de passagem. Aquele onde descobrimos que tudo é passageiro, mesmo a dor que parece que nunca vai sumir. São momentos passageiros que movem a nossa vida.

 Olhando para suas amigas, Clara pensou em como tinha sorte. A felicidade também seria passageira, mas ela tinha duas melhores amigas para lhe lembrar que isso não era afinal o fim do mundo. 

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Priscilla O'nil
Apaixonada por livros desde pequena venho compartilhar com vocês um pouco desse mundo da leitura

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