O Lago
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Meus Contos

O Lago

O parque da cidade ficava lotado ao finais de semana. Podia se encontrar de tudo por ali, pessoas caminhando, correndo, passeando e namorando. Do mais velho ao mais novo ali era um lugar onde as pessoas procuravam para fugir um pouco daquela cidade cheia de prédios cinzas e frios. Com um grande lago ao centro o local era rodeado por grandes árvores. Algumas tão antigas que seus troncos pareciam gigantes aos olhos de uma criança.

Naquela quinta feira porém o parque se encontrava quase vazio. O sol já estava bem baixo no céu, mas ainda se conseguia vê-lo refletido na água do lago. Uma calmaria percorria aquele lugar, com patos nadando delicadamente e capivaras deitadas preguiçosamente no chão de terra. Os sons de carro não invadiam o local, apenas o som do canto de pássaros.

Quem passasse distraído não conseguiria ver, mas em certo ponto do parque em um banco isolado no meio das árvores estava um homem de boné com a cabeça voltada para as margens do lago. Apesar de sua posição ser difícil de ser vista ele tinha uma ampla visão de todo o parque. Se esconder na verdade não era sua intenção, queria apenas ficar sozinho para poder curtir aquele momento.

Ele observava com certo fascínio as ondas que se formavam com o vento. Logo o céu que estava alaranjado ficaria escuro, mas o homem não tinha pressa em ir embora. Apesar de ainda ter trabalho a ser feito, considerava que o mais importante já tinha se resolvido. Após dias com aquele aperto no peito, finalmente ele estava em paz.

Perto do lago uma mãe passou brigando com seu filho. De longe o homem não conseguiu entender bem todas as palavras, mas conseguiu captar partes como “sorvete” e “não adianta chorar”. Ele observava a cena da mulher puxando o menino pelo braço como quem assiste um filme sem muito interesse. Vagamente ele se perguntou porque alguém brigaria num lugar como aquele, onde tudo exalava felicidade.

Passou a ponta do sapato de leve na grama, pensando em como seria difícil tirar aquela mancha. Provavelmente o certo seria joga-lo fora, mas ele tinha uma afeição especial pelo calçado. Ela tinha dado para ele meses antes, e agora que tudo foi acertado parecia errado simplesmente se desfazer do presente.

Pensou em como ela ficaria linda naquele lugar, com seus cabelos loiros soltos ao vento. Tinha certeza que ela ia adorar os animais soltos por ali e ia querer tirar foto de cada um deles. Quase podia vê-la com um shorts jeans e camisa branca sentada ao seu lado sorrindo. Mas ele não podia arriscar ser visto com ela em público, talvez as pessoas não entendessem o amor deles.

Tinha sido assim meses antes. As pessoas conspiraram para os dois terminarem, apesar dele saber que ela o amava com todo seu coração. E não haveria ninguém melhor para ela do que ele. Não desistindo de sua amada ele se esforçou como nunca para a ter de volta. Sabia que ainda precisavam ajustar algumas coisas, mas ele sentia que o pior já tinha passado.

Um pato gritou da margem do lago, o acordando de seus pensamentos. Se assustou ao ver que as luzem dos postes estavam ligadas. Ainda restava um pouco de luz natural, mas não seria assim por muito mais tempo. Começou então lentamente a fazer o caminho para a saída do parque. Colhendo no percurso algumas flores amarelas, pensando em como ela ia amar a surpresa.

A volta para a casa foi curta já que ele não morava tão distante assim. Fazendo apenas uma parada no caminho para jogar uma sacola no lixo. Quando estacionou em sua garagem percebeu a escuridão que dominava a casa, se perguntou porque ela não tinha ligado as luzes. Ela sempre teve medo do escuro.

Ao abrir a porta de casa um forte cheiro entrou pelo seu nariz. Ele não imaginava que ficaria assim tão cedo, mas o suor em sua testa lhe dizia que o verão realmente tinha chegado com tudo. Em meio as árvores ele não tinha percebido o calor sufocante, não até entrar em seu carro pelo menos.

Ele realmente tinha trabalho a fazer, por isso foi até o quarto onde a encontrou deitada na cama. Ligou a luz indo direto ao seu encontro. Seu rosto estava mais pálido desde cedo e ela tinha ainda algumas manchas vermelhas em seu corpo. A pegando delicadamente nos braços ele decidiu começar com um banho.

Durante o banho ela não disse uma palavra. O que não incomodou o homem, pensando que cedo ou tarde ela ia se acostumar a nova situação deles. Quando terminou a vestiu com o shorts jeans e camisa branca, contanto para ela como tinha sido o passeio no lago.

Apesar do banho quente sua pele continuava fria, como seria durante todos os outros dias.

 

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Priscilla O'nil
Apaixonada por livros desde pequena venho compartilhar com vocês um pouco desse mundo da leitura

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