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Meus Contos

Primeiro Encontro

Se alguém entrasse no quarto naquele momento ia achar que ele foi vitima de um assalto. Tinha roupas espalhadas por todos os lados. Da cama bagunçada de tanto Juliana se jogar nela, passando por sua mesinha onde a menina tinha espalhado toda a sua maquiagem até o chão onde se encontrava uma pilha de roupas descartadas.

E no meio desse caos todo estava ela se olhando no espelho pela milésima vez. Como se um raio de adrenalina tivesse passado por seu corpo ela foi do espelho a cama em questão de segundos. De barriga para cima e um sorriso no rosto forçou a mente a se lembrar novamente do dia anterior.

Juliana estava lendo um livro em sua cama quando a amiga Gabriela entrou em seu quarto. Ela já esperava por aquilo por ter escutado sua mãe a deixando entrar, por isso marcou a página que estava lendo e fechou o livro bem na hora que a menina abria a porta do seu quarto.

– Eu acho que essa noite pede um lanche com batata frita! – A menina decretou assim que entrou, se jogando na cama ao seu lado.

– Eu acho, que você devia aprender a bater antes de entrar. Ou pelo menos aprender a dar oi. – retrucou Juliana apesar do sorriso em seu rosto. Já estava acostumada demais com a amiga para realmente ficar chateada com aquilo. As duas eram vizinhas desde que eram bebes, cresceram juntas e mesmo depois de dezesseis anos se davam muito bem.

– Então você não quer? O Pedro está trabalhando hoje. Ai! Pra que esse travesseiro na minha cara Ju?

– Você fala demais Gaby!

– Ah que seja! Se troca logo, você sabe que por ser a única lanchonete dessa cidade minúscula ela vai ficar lotada se chegarmos muito tarde.

Em parte para a amiga ficar quieta e em parte porque ela tinha razão Juliana se trocou rápido e vinte minutos depois as duas estavam andando pela rua aproveitando o vento que fazia. Os últimos dias tinham sido dolorosamente quentes naquele verão.

A lanchonete ainda tinha poucos clientes pois a noite ainda não tinha chego e por isso as meninas puderam escolher onde sentar. As duas tinham uma mesa preferida próximo a janela e de frente para o balcão e foi ali que se sentaram naquela noite. O lugar era perfeito para sentir o vento entrar, mas Juliana também tinha outros motivos para amar aquele lugar.

– Ju pede para mim, to apertada!

– Você acabou de sair lá de casa, porque não foi lá?

– E perder bons lugares? Pede vai, você sabe do que eu gosto. – Sem esperar respostas Gabriela saiu correndo para o banheiro deixando a amiga revirando os olhos para o teto.

– Sua amiga tinha algo urgente para resolver?

O coração de Juliana errou uma batida e a menina só conseguiu olhar para o dono daquela voz.

– Está tudo bem Ju? – Era Pedro quem estava em pé ao seu lado segurando um bloco de notas, tomando fôlego e repetindo a si mesma para não fazer papel de besta Juliana tomou coragem para responder.

– Ah, oi Pedro. To bem sim, foi mal. A Gaby que me deixa perturbada. – Isso, uma piada para descontrair. Pensou Juliana sorrindo para si mesma.

– Achei que só eu tinha esse efeito em você.

Antes que Juliana pudesse entender o que tinha sido dito Gabriela estava de volta falando sem parar.

– O banheiro não estava nada limpo, tive que fazer correndo com medo de pegar alguma doença. Oi Pedro, veio anotar nosso pedido? Dois x-bacon, duas batatas grandes e duas cocas grandes. E fala pro Thiago limpar aquele banheiro!

– Sim senhora! – Pedro deu uma ultima olhada sorrindo para Juliana e voltou para o balcão, onde as duas meninas tinham uma vista perfeita dele trabalhando.

– Você ta meio pálida amiga, ta com tanta fome assim?

– Olha Gaby você as vezes me irrita mais que o necessário.

– E você me ama mesmo assim.

– É, eu sou trouxa assim.

As duas riram e começaram a conversar sobre as férias que estavam no final, sobre as últimas fofocas e sobre a serie que estavam assistindo. Apesar da conversa animada Juliana a todo momento lembrava daquela frase e já estava achando que tinha sido coisa da sua cabeça, que entendeu errado o que ele disse. Mas toda hora que olhava para o balcão lá estava ele devolvendo seu olhar.

O lanche chegou trazido por Thiago. Um menino baixinho de cabelos loiros que a primeira vista parecia ser inocente e tranquilo, mas era totalmente oposto disso.

– Então quer dizer a senhorita não está contente com a limpeza do banheiro e acha que eu tenho que resolver?

– Você não é para ser gerente daqui?

– Eu não sou gerente nem do meu quarto, quem dirá daqui Gabriela!

Enquanto a menina seguia com uma serie de provocações Thiago ia colocando o pedido na mesa. Ao colocar o lanche na frente da Juliana olhou bem dentro de seus olhos e depois para um guardanapo colocado embaixo do lanche. A menina deslizou o guardanapo para debaixo da mesa onde viu que tinha algo escrito nele.

“Amanha, as 10, na cachoeira das árvores?”

Intrigada a menina olhou para o Thiago que abanou a cabeça e olhou para o balcão. Lá estava Pedro olhando fixamente para ela. Mesmo sem acreditar Juliana fez que sim com a cabeça e em troca o menino sorriu do outro lado. Thiago também sorriu o que a Gabriela entendeu como um deboche sobre suas reclamações.

– Eu sou engraçada para você Thiago?

– Como um chute no saco Gaby, como um chute no saco.

A noite passou com as meninas comendo e conversando, mas agora com Juliana mais distante. Como Gabriela gostava muito de falar, não percebeu que a amiga tinha a cabeça longe. Pelo menos não até as duas se despedirem.

– Ju, que tal um dia inteiro de series amanha? Eu chego logo de manhã e assistimos até de noite!

– Amanha não da…

– Vai fazer o que amanhã? – Disse a menina com uma ruga na testa.

– Ah, sabe como é, coisas para a minha mãe. A gente se vê sábado! Tchau! – E saiu correndo para dentro de casa deixando a amiga sem entender o que tinha acontecido. Juliana não sabia porque, mas queria guardar aquele segredo só para ela por enquanto.

Mas naquela manhã, deitada em sua cama e relembrando tudo, Juliana sabia o porque não tinha contado nada. E se fosse apenas uma brincadeira? E se Pedro estivesse brincando com ela e não tivesse ninguém a esperando na cachoeira. Mesmo com essa duvida sobre a sua cabeça a menina levantou novamente e foi até o espelho.

Seus longos cabelos cacheados estavam soltos e por um milagre do destino estavam realmente bonitos naquele dia. Sua pele já tinha um leve bronzeado por ter passado tantos dias na piscina com Gabriela e no geral a menina sabia que estava bonita naquele biquíni azul. Mesmo assim não parava de olhar por todos os ângulos procurando por defeitos.

Ao olhar no relógio percebeu que se não saísse agora estaria terrivelmente atrasada. Vestiu um shorts preto e uma camisa branca e saiu pela casa colocando seu tênis. Já tinha avisado seus pais que iria para a cachoeira deixando de fora o com quem ela ia. Os pais já estavam tão acostumados dela andando sempre com a Gabriela que supuseram que fosse com a menina e não fizeram mais perguntas.

Apesar de seus medos e do seu coração batendo forte no peito, lá estava ele. Sentado em uma pedra olhando para a água que caia, com o vento balançando seus cabelos pretos. Percebeu a menina chegando e o sorriso que se abriu em seu rosto fez o coração dela perder outra batida.

– Bom dia Ju!

– Bom dia Pedro, me esperou muito?

– Acabei de chegar! – Nessa hora um vento forte bateu nos dois fazendo os cabelo de Juliana tamparem seu rosto. Pedro chegou bem perto, colocando uma mecha atrás de sua orelha e pegando em seguida na mão da menina. – Que bom que você veio, fiquei com medo de você só ter aceitado ontem por pressão e não aparecer hoje.

– Eu nunca faria isso!

Pedro sorriu e puxou a menina pelas mãos até a pedra onde estava sentando antes. Ali eles conversaram durante horas. No começo com timidez, mas depois com mais intimidade e até algumas gargalhadas. A cachoeira tinha várias árvores ao seu redor que impediam o sol de entrar com tudo naquela espaço, dali que vinha o nome de Cachoeira das árvores. Mesmo assim próximo ao meio dia o calor já estava ficando insuportável e partiu de Pedro o convite para entrar na água.

A timidez de Juliana voltou na hora. Uma coisa era conversar com ele, mas ficar de biquíni na sua frente era demais para sua cabeça. Mas ele já estava só de shorts e chamando ela de dentro da água. A menina tirou suas roupas, tentando esconder seu corpo e pulando logo na água. Ele foi se aproximando pouco a pouco dela, como quem tem medo de chegar rápido demais e assustar.

– Você sabia?

– Do que?

– Que você é linda. – E com uma mão segurando a mão de Juliana e a outra em sua cintura Pedro a beijou. Um beijo que pode ter sido rápido, mas para ela parou o tempo naquele momento. O tempo virou e gotas de chuva começaram a cair sobre os dois.

– Mas esse seu rímel não te ajudou!

– Ai meu Deus, borrou né?

Rindo os dois continuaram na água, alheios ao resto do mundo, perdidos entre brincadeiras e beijos. E agora Juliana tinha certeza que queria guardar aquele momento para si mesma pelo máximo de tempo possível.

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Priscilla O'nil
Apaixonada por livros desde pequena venho compartilhar com vocês um pouco desse mundo da leitura

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